Porque participar de uma comunidade de SL?

Porque participar de uma comunidade de SL?

Porque participar de uma comunidade de SL?

Porque participar de uma comunidade de Software Livre (SL)? Recebi esse questionamento de um aluno e fiquei pensando em como formular uma resposta adequada. A resposta dessa pergunta dá todo o sentido para a existência do Software Livre e para a necessidade de aproximá-lo ainda mais da Educação. Cunhado a partir da proposta de liberdade e orientado por uma lógica de colaboração onde se pode copiar, estudar, modificar e redistribuir , o Software Livre apresenta ao usuário novas possibilidades. E porque não experimentá-las?

O Software Livre dá ao usuário, além da possibilidade de uso, a opção de participar da construção do software. É claro que a participação nessa construção depende de interesse, conhecimento e curiosidade. Ai está um detalhe importante. Diferentemente do modelo proprietário, neste caso, o usuário de SL pode se tornar autor e criar novas tecnologias. Ao usar um Software Livre no Ensino Superior abrimos a possibilidade de iniciar um circulo virtuoso de colaboração e de construção de novos conhecimentos. É o professor apresentando ao seu aluno como as coisas funcionam e dando a ele a possibilidade de se tornar protagonista de seu processo de aprendizado e crescimento profissional.

As novas tecnologias surgem a partir do processo de inovação. São o motor do crescimento e a porta para a oportunidade de mudança e crescimento, especialmente para  países que atualmente estão na condição de meros mercados consumidores. A lógica global impõe que alguns países produzam tecnologias e que outros sejam simples espaços de adoção e uso dessas tecnologias . Faça uma rápida reflexão: O que você pode fazer com um Software Proprietário? A resposta é clara: Apenas utilizar. Ser um bom, um ótimo ou em última instância um excelente usuário! Nada mais que isso. É saber usar e nada mais. É apenas consumir…

A lógica mercantilista do ambiente proprietário e sua forma de licenciamento não nos permite estudar o seu funcionamento, colaborar, criar ou inovar tendo por base o software comprado (a tecnologia adquirida). Não há como compartilhar ou redistribuir modificações. Estaríamos incorrendo no crime de contrafação (pirataria). É claro que a realidade hoje, comumente aceita em nossa sociedade (ainda que não declarada) é usar, mesmo que pirata. Feirinhas, downloads e cópias permitem esse processo facilmente. Quem não usou um software sem licença, ou fez um download que atire a primeira pedra. Fácil não? Ético? Claro que não. Agora, pensando pela ótica do grande fabricante isso é o que há de melhor! Afinal, quanto mais pessoas usam, ainda que pirata, e se tornam condicionados e dependentes desse produto, melhor! Uma lógica real de vício e necessidade. Só sei usar esse, diz o aluno do Ensino Superior. “Esse todo mundo usa”. Não é incomum receber na coordenação de um curso superior tecnológico a proposta para afiliar a Instituição de Ensino Superior à diversas “parcerias” para uso liberado de softwares proprietários. É um momento ímpar, onde o Mercado vislumbra a possibilidade de perpetuar seu ciclo de vendas. Afinal, aluno formado em ferramenta, acaba pelo menos endossando a compra desse mesmo software quando estiver no mercado de trabalho. Mas a academia não é para formar em conceitos? Em conhecimento? Ou é para capacitarmos em ferramentas?

Bem, a pergunta feita no início de nossa conversa é a base para a continuidade e sustentação do Software Livre. Não basta apenas usar é preciso participar. É preciso colaborar, contribuir e devolver o que foi usado. Precisamos abrir novas frentes de continuidade de trabalhos já iniciados. É preciso dar asas à imaginação e contribuir com a retroalimentação desse processo. Precisamos quebrar a barreira do apenas usar, condicionamento adquirido com o software proprietário, e passar ao participar, colaborar e contribuir. Mas como mudar esse comportamento? Como mudar essa cultura? Penso eu que, como educador, isso deva começar na Educação, em todos os níveis.

Como professor acredito no processo educacional. Apresentar ao alunos esse processo colaborativo de estudo, de construção e compartilhamento de conhecimento em nosso ambiente educacional é fundamental. Nada como promover e envolver o corpo discente e docente em atividades que respirem esse sentimento e que demonstrem aos alunos e professores que colaborando e compartilhando conhecimento vamos muito mais longe e aprendemos muito mais. A curiosidade se aguça quando podemos ver como as coisas funcionam. Eventos e comunidades de SL permitem que o aluno vença suas barreiras e medos, seja como autor, palestrante, guia ou instrutor (oficineiro no jargão das comunidades de SL) ao compartilhar um pouco do seu conhecimento aprendido.

Quando um professor demonstra as possibilidades de um SL ao aluno e o que pode ser construído e reconstruído a partir dele, está quebrando o circulo vicioso do “mero usuário” e da “lógica do mercado” e demonstrando como seu discente pode fazer parte de um novo circulo virtuoso do SL.

O estudo com participação real em comunidades de SL permite a construção colaborativa de respostas à problemas e a materialização da ajuda mutua, ou seja, eu ajudo e recebo ajuda (círculo). Esse caminho leva o aluno a outros níveis de colaboração, percepção e construção do conhecimento. É o aprender a aprender se concretizando. É ter a certeza de que o aprendizado não tem fim.

As comunidades, os grupos, as redes de estudo são vitrines concretas para que o estudante demonstre seu potencial. São nelas que eles se apresentam ao mercado, buscam oportunidades, constroem sua imagem profissional, estabelecem relações construtivas com outros profissionais e visualizam o que ocorre realmente no mercado profissional. Verificam o que o mercado espera em termos de competências e habilidades.

Não basta apenas falar sobre o uso de ferramentas com SL no ensino superior. Precisamos ir além e demonstrar que sua filosofia também pode ser aplicada na Educação. Nosso aluno do Ensino Superior Tecnológico não pode ser apenas um mero usuário de software proprietário. Precisamos ir além!

Deixe uma resposta